segunda-feira, 16 de abril de 2012

Prosa - Excerto

O filho mais novo da D. Amelinha completava 13 anos nesse Verão quente e era, sem sombra de dúvida, o gaiato mais beato num raio de 40km. De rabo alçado subindo a rua da capela em direcção à escolinha, deixava transparecer ais da mãe, para desespero do pai. Sua graça Afonsinho e seu apelido Junco. Ora Afonsinho Junco não atirava gravilha aos pombos nem às pombas da confraria e ficava a dever aos machismos do senhor seu pai. Menino sempre muito enfiado nas saias da mãe, apreciava uma boa canja e um copinho de leite antes de ir deitar e receber o beijo de boas noites da senhora que o mimava e acachava em colchas rendadas. Felizmente para o pai havia mais quatro filhos machos, Teodoro, António, Firmino e José, que salvavam as honras da família. E assim viviam sete naquela que era uma das casas mais ricas da aldeola pobre.

O Tito da boteca e outros meninos gozões e desalinhados da dita escolinha de aldeia, entre uma futebolada e outra, passavam algum do seu tempo a ir ao cú ao Afonsinho, desconhecendo que este gostava. Mas, muitas vezes, o Afonsinho perdia a inocência e, uma a uma, ia enchendo com pedrinhas pequenas o próprio rabinho. Aí tinha a sua vingança e quando os meninos enrabões chegavam a casa de pilinha a arder gritando e esperneando para as mães, estas só respondiam “lá está o filho da D. Amelinha com a mania de pôr pedras no cú para aleijar os outros meninos” e passavam o unguento e tentavam esquecer o assunto.

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